sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

sobre a vida e o teatro

Na vida cotidiana, assim como em um teatro, tudo o que fazemos é, à medida que crescemos, desempenhar alguns papéis: um indivíduo escolhe ser um engenheiro que acredita em um determinado sistema político, ao passo que outro, por motivos restritos, vem a ser um professor pessimista e incrédulo. Todos, sem exceção, da mesma forma que atores em um teatro, desempenham papéis.

Por outro lado, há uma dissemelhança entre a vida cotidiana e o teatro: na vida não existe roteiro, tornando-a completamente absurda. Dessa forma, surge uma espécie de inevitabilidade do ser humano vim a criar ele próprio sentidos e ideologias que preencham a inexistência de um roteiro, isto é, de um sentido. Alguns dizem que existe um criador e que esse criador vai ditar o roteiro e que, ao final da peça, quando sairmos do teatro (leia-se vida), iremos para um lugar melhor. Outros, ao contrário, negam a existência de um roteirista e acreditam que o que devemos fazer é, por mais absurdo que seja, sermos felizes e aproveitarmos o momento que passaremos nesse palco.

Eu... eu só quero abrir a porta dos fundos do palco e sair. Alguns personagens podem vim a me oferecer pílulas ou remédios para continuar no palco, desempenhando meu papel. Mas a verdade é que eu cansei do meu personagem. Ele não tem brio, falta-lhe talento, mergulhado numa abismal melancolia. Já que eu ainda não vim a conseguir um roteiro que  possa ser digno de seguir, e meu personagem é um completo ignóbil, eu vou descer as escadas do palco e sair.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

sobre ideologias

O engraçado da maioria das ideologias é que, além de serem um véu que tapa a falta de sentido da existência, isto é, fornece uma razão pra viver, ainda projetam um mundo onde todos os seres humanos devam agir conforme o que vem a estar descrito no papel, de modo a ignorar toda a complexidade humana.