segunda-feira, 20 de junho de 2016

sobre o meu personagem

Na vida, desfruto de um personagem: eu. De modo geral, é possível dizer que cada ser humano que rasteja pelo solo do globo desempenha um personagem. Uns, atribuem à sua infame existência um significado um tanto quanto vil. Outros, por outro lado, apenas atuam. É o meu caso, que, com a minha patife figurinha, rastejo por esse chão. 
Meu personagem é vil, pobre, canalha. O coadjuvante que me foi atribuído é sempre mesquinho, rato, anônimo. Sou, com efeito, a glória de minhas doenças.    

terça-feira, 7 de junho de 2016

sobre o acaso

Eu estava na rodoviária com o objetivo de pegar o ônibus rumo à universidade. Como estava com tempo, decidi pegar um ônibus que vinha logo atrás, mais vazio. Esse ônibus sairia logo após o primeiro, que eu deixei de pegar. O estranho ocorre quando o meu ônibus - portanto, o que saiu depois - chega primeiro do que o que saiu primeiro. Vários acasos levaram o primeiro ônibus a parar mais e fez com que meu ônibus o ultrapassasse. Cheguei a conclusão - uma conclusão até bonita, de efeito - de que a vida é regida pelo acaso.

Imagina se minha mãe, por acaso, não vai naquela festa que conheceu o meu pai? Se o salto dela quebrasse?

O acaso rege a vida.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

sobre valores incompatíveis

É impossível viver num lugar onde os valores que eu carrego e que foram construídos filosoficamente são diferentes, senão opostos, dos valores cristãos nada refletidos da minha família. É como um peixe fora d'água, por mais clichê que isso seja. Não há diálogo, pois, na medida em que não há consenso de valores, não há nenhuma espécie de algo que possa valer como universal. A única coisa que me resta é me fechar, suprimir meus sentimentos, e sofrer.