domingo, 18 de junho de 2017

sobre a noite de sábado onde as pessoas ficam bêbadas e eu deprimido (e bêbado)

Noite.
Sábado.
Eu já não sei mais quem sou.

Era sábado à noite. Como de costume, a cidade inteira estava bêbada. Eu começava a me sentir deprimido. Às vezes, a humanidade me causa uma enorme repulsa.
Lá estava eu junto àquela gente toda bebendo e fumando e beijando e sofrendo e sorrindo e sendo, simplesmente, pessoas. Olhava ao meu redor e não via uma esperança e a única vontade era que alguma coisa acontecesse, alguma ação. Viajava o olhar ao redor e acabei encontrando alguém que me fez sentir um pouco melhor. Em lugares como esse, onde as pessoas ficam meio perdidas, sem saber o que fazer, é realmente difícil encontrar alguém de fato interessante. Mas ela, por algum motivo, adiou a minha depressão por algumas horas e eu pude desfrutar o momento de uma forma mais humana.
Nunca soube muito bem como lidar com situações como essa e, pra variar, falei algumas imbecilidades que, depois, em casa, meditando, acabei me arrependendo. Conversamos sobre trivialidades e o assunto acabou mais íntimo sem que eu pudesse perceber: foi utópico. A gente nunca sabe que ao sair de casa pode, ao acaso, encontrar uma pessoa que, com uma simples conversa, adie seu sofrimento.

Não sou das pessoas mais sentimentais desse mundo: sinto-me até uma ingênua estranheza. Tropeço a cada quarteirão e nunca sei muito bem pra onde seguir. Quando ela, depois de toda conversa e coisas que eu não sei de fato o que foram, foi embora, eu me achei perdido num lugar absurdamente estranho e bucólico: a vida. Sozinho, embaraçado, só me restou, com as mãos no bolso da jaqueta, atravessar a rua escura e caminhar rumo à eternidade.  

Depois.

Encontrei com meu velho amigo e ele estava bebendo com outros amigos. Me fez segui-lo e eu, como não tinha nada melhor pra fazer, deixei-me ir, esperando, sei lá, algum meteoro explodir a raça humana inteira. Eu fiquei realmente triste quando cheguei em casa e não tinha nenhuma notificação no meu mundo (no mundo de todos) bizarramente social. O buraco que eu tenho no peito é do tamanho do mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

Hoje.


hoje eu tô escangalhado
mas talvez amanhã
por ser um novo dia
eu possa perceber
que a eternidade
pela qual muitos anseiam

seja só uma questão de grito 

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